Um dia me perguntaram qual seria a pintura favorita que
poderia citar.
Mentira, ninguém me perguntou isso.
Mas supondo isso, fugiria do mesmo que é adorar qualquer
obra de Picasso, Monet, Van Gogh e qualquer unanimidade que cega.
Pintura é uma foto que tiramos com nossos olhos internos e
qualquer um pode criar a sua obra prima.
Estou naquela fase da vida ou idade, sei lá como definir...
Onde percebemos que as coisas boas vão além do mesmo, de
sempre escutar a mesma banda, de achar que o livro que lemos ou o filme que
vimos no passado é a nossa obra prima definitiva.
Amo Beatles, mas perdi meu encanto unânime a bastante tempo
e isso me fez ouvir tanta coisa boa que estava aí na minha frente e eu sempre
ouvindo os mesmos acordes, fazendo da trilha sonora da minha vida um nota só.
Assisto O Poderoso Chefão cada vez que passa na TV, mas
assisto qualquer bom filme recente, nada de achar que somente o que ficou para
trás é bom.
Por imaginar que o passado era uma extensão do presente
deixei-me ser um pouco menos feliz e quando o passado ficou no seu devido lugar
tudo clareou e todas as nuvens se dissiparam.
Claro que lembro de muitas coisas que ainda faço questão de
trazer para o meu presente.
Como esquecer o primeiro livro lido, a primeira paquera, a
primeira briga e a primeira surra também.
Infância é uma pós-graduação da vida que fazemos antes da
faculdade.
O resto é apenas grade curricular e por isso mesmo às vezes
nos dá aquela saudade de sermos criança...
Anderson M.
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