Ontem tive uma daquelas transas que aparecem de repente.
Estava em casa assistindo TV, e com uma preguiça absurda que teima em me absorver ultimamente como uma esponja.
Já havia rejeitado o convite para um jantar na casa de um affair que já me assusta pelo fato de quase estar virando uma namorada, e juntamente o convite para dormir ao lado dela.
Mas resolvi preterir, meu lado preguiça urgiu dentro de mim e mais uma taça de vinho me chamava, já havia tomado uma mais cedo.
Eu não bebo nada, mas descobri o vinho recentemente através de uma noite de amor perdida que narrarei em outra ocasião.
Voltando ao caso, estava deitado, absorto pelo vinho e a preguiça, quando meu celular toca, numa linha que poucas pessoas tem acesso ou para explicar melhor, as mulheres somente tem acesso.
Olho e me deparo com uma guria (adoro esse termo) que estava devidamente cadastrada em minha agenda, isso já demonstra um certo interesse da minha parte ainda mais pelo fato que havia alguns meses que não a via e ela ainda estava a pertencer a minha agenda.
E atendi realmente de forma bem interessado, já imaginando que algo surgira de diferente na minha noite e como nós homens adoramos o inesperado quando a palavra SEXO faz parte.
Trocamos algumas palavras, ela informando que estava com amigos perto da minha casa, como quem se auto-convida para vir aqui, fato que eu corroborei.
Como a ligação estava ruim, falei que mandaria meu endereço via SMS caso ela resolvesse passar aqui após o jantar com amigos, na verdade tinha uma certeza que ela viria, afinal mulher quando procura e tem a iniciativa não volta atrás.
Após quase uma hora meu interfone toca, fiquei surpreso apenas por ela chegar mais cedo que eu imaginava, nem me dando tempo de me arrumar, vesti a calça que estava mais próxima de minhas mãos e desci para abrir o portão do prédio que não entendo ainda ter que descer toda hora para abrir quando alguém chega ou vai embora, enfim.
Quando a revi na porta do prédio, realmente fiquei feliz, me veio a recordação da nossa primeira transa que não teve nada de especial, mas que me marcou pelo semblante lindo que a mesma tinha enquanto transávamos, uma carinha de anjo, olhos fechados o tempo todo, como se estivesse em um sonho bom e não quisesse acordar...
Subimos os quatro lances de escadas do meu prédio e adentramos meu apartamento.
O único inconveniente é que ela subiu as escadas repetindo que não iria demorar e isso me irritou um pouco, mas enfim.
Não seria isso a atrapalhar, era o que eu pensava na hora.
Dentro do meu apartamento já, as lembranças da primeira transa se perpetuavam a cada vez que a olhava.
Mas ao mesmo tempo eu não me excitava, mas sabemos como nós homens agimos.
Não precisamos estar com vontade para irmos pra cama com a primeira que aparece.
Algo que luto e reluto insistentemente dentro de mim, pois sei que basta uns poucos minutos após a transa para vir aquela dor de culpa e a pergunta, porque diabos eu transei com essa mulher?
Eu até sei a resposta, mas sempre me esqueço quando mais preciso...
E ela, acredito por estar sem graça continuava a repetir que tinha que ir embora.
O recado estava dado, eu tinha que tomar uma atitude ou ela iria embora e eu ficaria a ver navios.
E sei apenas e não como, que em poucos minutos estava a beijá-la, preâmbulo do que viria em seguida, isso é um efeito em cascata, é como bater a campainha e esperar alguém abrir a porta.
Automaticamente a excitação que estava aguardando, veio, não como eu desejava.
A parte da roupa irei pular, afinal nos preocupamos em deixar a mulher nua no menor tempo possível e nem reparamos em nada.
Se nós homens assimilássemos o quanto a mulher adora um ritual, agiríamos diferente.
A essa hora eu já estava dominado pelo meu lado animal e a razão se renuncia nessas horas.
Não lembramos da namorada, esposa ou seja lá o que tivermos.
Nos disfarçamos sobre a alcunha de um homem carinhoso, romântico, que sabe o quer, mas isso se desfaz rápido como um castelo de cartas.
Nessa hora nos prostituímos sem o menor pudor ou razão, saímos da nossa fantasia de super-herói...
Anderson M.